Coração

Vaidade Capitalista

9 de abril de 2015
vaidade capitalista

O dinheiro é parceiro da maldade. Será que eu realmente quero ser um deles?

Sonhei com grandes impérios, suítes presidenciais e as melhores bebidas do mundo. O emprego tão esperado e o reconhecimento de uma nação. Me imaginei casando em Las Vegas, paquerando um popstar do momento e dançando entre os queridinhos de Hollywood. Meu universo particular sempre foi recheado de grandes histórias, com bastante luxo, drogas, glamour e sexo.

Quando menos esperei, as luzes se apagaram. Ao pisar no meu castelo, percebo que nas quinas existem lôdos. Em cada canto da sua estrutura existe dor, morte e sofrimento. Dentro da minha obra faraônica, só existe solidão. Os funcionários do meu castelo, não gostam de estar aqui. Se sentem solitários e incompreendidos. Quase sempre não os vejo (ou não quero ver). Ando pelos corredores com muita pressa. Preciso acumular meus bens, não tenho tempo para comprimentos. A única sensação que pulsa em minhas veias, é a de dependência. Não minha, claro, mas dos demais. Me sinto confortável da minha sacada jogando pipoca para a multidão. Uma vez, na porta do céu, me disseram que existem mensagens. Não acreditei, lógico, mas por via das dúvidas me peguei a observar:

“As pessoas que tem dinheiro, em maioria, são pessoas ruins. Não medem esforços para chegar aonde querem, não pensam no próximo e muito menos conseguem sentir gratidão ou humildade pelas pessoas. Tratam o ser humano como uma ferramenta. Um mero colaborador da sua riqueza. Vivem de futilidades, superficialidade e status. Não se misturam aos demais, afinal, se acham superiores aos mesmos. Dinheiro pode ser sinônimo de pobreza de espírito.”

Hoje ao acordar, me peguei pensado:

– Será que eu realmente quero ser um deles?


Ilustração: Jehan Choo

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