Coração

Uma Vida Black Star

1 de fevereiro de 2016
uma vida black star david bowie-01

A morte de David Bowie me fez pensar na efemeridade da vida e como mudei em tão pouco tempo. Cresci assustadoramente e não me reconheço ao olhar para o lado.

Utópico, caridoso e contestador, uma fúria dentro do peito. Eu rezei todos os dias para que quando esse brilho faltasse em meus olhos, minha luz se apagasse, mas meu fogo consumisse gerações.

Hoje sou mais um. Sou uma pessoa que sempre critiquei. Busco estabilidade emocional, financeira e quero sempre mais. Aquele menino do interior, perdido na metrópole, carente, sozinho e com o peito em brasas desapareceu, dando lugar para uma pessoa cheia de cicatrizes, cansada, viciada em metas diárias e disposta a fazer qualquer coisa por míseros momentos de felicidade.

Ando pelas calçadas, conheço pessoas, visito lugares. Nada disso importa. Não me sinto em casa em nenhum deles. Em um piscar de olhos tudo desaparece. Essa sensação de impotência perante o tempo e a incerteza da vida, geram loucura e ansiedade. Não existe porto seguro. A dádiva da vida é ligada ao sofrer. Entregar os pontos é uma questão de tempo? Um dia tudo virará poeira? Querido Bowie, viver é ter câncer. Lutar ansiosamente para morrer em uma praia deserta. Bons sonhos, Black Star. Dê notícias se possível.

Você também pode gostar destes posts