Coração

O que aprendi no Pico da Bandeira

27 de julho de 2015
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Alcancei o topo da 3ª montanha mais alta do Brasil. Pensei em inúmeros dizeres para falar sobre o que senti enquanto vivenciava aquele momento. Entretanto, resolvi falar dos meus sentimentos e sobre o que essa experiência significou pra mim.

A muitos anos namoro o Pico da Bandeira. Sempre na minha to do list, ele estava lá. Lindo, intocável e distante. Esse ano a minha independência gritou mais forte. Queria sentir a dor e o prazer de destruir os meus limites. Viver a beira do abismo, descobrir fraquezas, sentir o fim e curtir as consequências. Cheguei como quem nada quer no Parque Nacional do Caparaó. Me portei como quem estava de férias, curtindo. Depois de 9km de duras trilhas e escaladas, sensações térmicas abaixo de zero, caminhadas noturnas intermináveis, enjôos causados pela altitude, dores e outras consequências da fadiga muscular… Me sinto diferente e gostaria de compartilhar algumas coisinhas com vocês! 🙂

– Sempre é possível ir mais um pouco. Seja no trabalho, estudo e no amor. Porém, é necessário ter sabedoria para descansar e continuar o seu rumo. Isso também é uma parte imprescindível do processo e não é vergonha alguma desistir. O combustível da superação é a vontade de destruir limites, não você.

– Não existe eterno e perfeito. É necessário agir com graça e galhardia perante o lado espontâneo e incontrolável da vida.

– Durante todo o tempo o externo nos oferece gatilhos que nos permitem entrar em um estado de puro amor e contemplação: uma árvore cheia de flores, um momento único de amor, lua cheia em dia de céu claro (…) Perceber a beleza e magia no dia a dia é essencial para ser feliz com você mesmo e com o mundo. Respire melhor quando a natureza te presentear com pequenos mimos.

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             Vista do Alto do Pico da Bandeira

– A mente é o segredo da vida. Ela é deus. Cria o tempo, espaço e a linguagem. Cuide bem da sua, mas não muito. Pensar demais leva a loucura. Não use muitas drogas e transe sempre com amor.

– Perceba os momentos de beleza da vida fora do que você considera belo. Beleza é contingencial. Por vezes, o êxtase tão esperado está em algo que não nos atraí pela sua forma física, mas pela energia que emana.

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             Pôr-do-sol no Mirante

– Dê licença para o inesperado chegar e boas-vindas ao não programado. Deixe que a existência se mostre de outro jeito. Você não têm casa, emprego ou um amor fixo. Tudo faz parte de algo maior pelo qual estamos transmutando. Se apegar a qualquer coisa é sinônimo de sofrimento e atraso na sua evolução.

– Não é vergonha alguma ser vagabundo, fútil e descompromissado de vez em quando. Não se cobre tanto e muito menos se leve a sério 24 horas por dia. Faz parte da vida, alimenta a alma e relaxa o corpo.

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Uma das diversas cachoeiras locais

Por último e não menos importante: NÃO HÁ CONQUISTA SEM SACRIFÍCIO. Isso eu fiz questão de gravar e deixar na mesa do escritório. Afinal, esse coração publicitário, de alma alegre e corpo triste, espera sempre manter uma áurea aventureira e pulsante na bagagem. Transborde comigo. Sat nam!

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