Reflexão

Cidade Negra

12 de maio de 2015
sammy slabbinck

Um passeio noturno pela cidade negra.

Olho pela janela do apartamento. As pessoas inexistentes entre tons vermelhos borrados, ruas e fumaças. O silêncio é enlouquecedor. Viver em um lugar com grandes agudos, torna o silêncio momentâneo em uma crise de loucura. O ar está denso e parado. Saio a andar pelas ruas, procurando por novidades. Algo que faça a lua voltar a brilhar. Encontro, nessa minha peregrinação, figuras icônicas: andarilhos, prostitutas, viciados e bêbados.

Sento no bar, peço uma dose. Enquanto o gosto forte do álcool invade meu sangue, sinto o ar ainda mais denso. Clima pesado. Peço outra dose e olho as pessoas ao meu redor. Perdidas em si mesmas, procurando no apartamento do vizinho, algo que faça sua vida valer a pena. Levanto, acendo um cigarro e resolvo dobrar o quarteirão. Sento em uma praça e declamo uma poesia para as estrelas. As estrelas são prostitutas. Várias delas: dúzias, milhares! Olho e faço graça, quero fazer ser real. Elas gostam. Bingo! Vontade de sentir e vontade de se afirmar. O casamento perfeito entre duas forças que se completam. Escuto sinais, me despeço das estrelas e sigo o meu caminho.

Perdi a noção do tempo, antes de descobrir que naquele instante, ele não existia mais, ou não era mais tão necessário como na minha rotina cronometrada. Volto para o apartamento. Novamente, me coloco a observar pela janela. Onde estão todos? Por que tão calmo? Como eu queria que o meu coração se transformasse em noite ao amanhecer.


Arte: Sammy Slabbinck

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