Coração

A arte de se iludir

21 de outubro de 2015
Francesca Woodman

A muito tempo não escrevo. Ando muito ocupado me iludindo com a vida. Casas, prédios, viagens, amores, promoções no trabalho (que nunca chegam), enfim, ando ocupado demais com futilidades diárias.

Esqueci de olhar o sol, sentir o calor e agradecer pela sua existência que invade a minha pele e me traz vitalidade. Resultado disso foi um déficit de vitamina D (epidemia mundial causada pela falta do sol). Continuamos assim, a procura da batida perfeita e com peles brancas e doentes.

Mudei muito nos últimos meses, na verdade, não me reconheço mais. Os últimos desafios me tornaram mais forte e impaciente com as falhas do próximo e, principalmente, com as minhas. Pior, tenho estado mais impaciente com a vida. Imprevistos, trânsito, clima, convenções (…) tudo, absolutamente tudo, precisa estar perfeito.

Porém, as incertezas me trouxeram uma maturidade jamais vista. Posso ficar chateado, mas jamais agressivo, bravo, esbaforido. Minha face se vira para a situação, mas sei que a vida segue. Os pensamentos pulam meses e analisam a arte final. Como um sociopata de coração mole, escolho o meu caminho, trilho, sigo, choro, mas não desisto. Sei que os dias de chuva passarão e que os pássaros voltarão a piar no orvalho. Eu já consigo ver a luz.

“E a razão por que vivo esses dias banais. É porque ando triste, ando triste demais.” Maysa


Imagem: Francesca Woodman

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